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Pentecostes - por Pe. Antonio Bracht 

Que o Brasil é “penta-campeão”, isso todos sabemos. Mas, o que é “pente-costes”, aí já fica mais difícil... Encaremos!

 

A festa religiosa, celebrada algum tempo depois da Páscoa, tem o nome: “Pentecostes”. De onde vem esse nome? Do fato de ser celebrada cinqüenta dias depois da Páscoa. Originalmente uma festa agrária, celebrava a colheita do trigo. Portanto, festa de alegria e gratidão, na qual se oferecia a Deus os primeiros resultados da colheita. Quer dizer espigas, ou uma comida preparada com elas.

 

Mas, com o correr do tempo, esta festa – como algumas outras – recebeu um novo sentido. Agora se celebrava na data a promulgação da lei de Moisés no monte Sinai. A festa recebeu um conteúdo histórico, no contexto da história de Deus com seu povo. O que aconteceu aí? Uma comemoração de aliança, com um significado histórico-religioso central para o povo de Israel,  é fundida com a data e lhe outorga o seu sentido, mais marcante do que o significado agrícola.

 

No tempo inicial da Igreja, depois da Páscoa de Jesus Cristo, na festa do Pentecostes algo surpreendente acontece: a efusão do Espírito sobre os apóstolos, o impulso missionário para anunciar Jesus Cristo a todos os povos como Salvador, constituindo a primeira igreja, na força da presença do próprio Jesus. Um novo conteúdo, portanto, para a festa. 

 

Teólogos, refletindo sobre a festa nos dizem exatamente isso. Assim Atenágoras: “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo e a ação moral uma ação de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado se faz presente, o evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se torna divina”.

 

Celebrar Pentecostes é, dessa forma, renovar-se no mais profundo do ser Igreja. Sua essência é sua atualidade. Um hoje sempre essencial, na força de Deus. Relevante para nós cristãos, que vivemos a transição num tempo de grandes mudanças. O Pe. José Kentenich, fundador do Santuário, afirmava  sobre essa festa: “Se a ‘nova Igreja’ na mais nova margem dos tempos não experimenta no seu início uma nova festa de Pentecostes, posso até dizer, se esta não se tornar uma instituição permanente na Igreja, pelo menos no sentido de que algumas comunidades sejam permanentemente animadas, despertadas, formadas pelo Espírito, então não captamos o que o Espírito Santo quer através da atual revolução”.

 

Cinqüenta dias, efusão do Espírito, impulso missionário... a Igreja celebra sua alma, sua força, sua presença. Sem o Espírito a Igreja não é atual, nova e renovadora. Com o Espírito a Igreja é a comunidade dos que foram renovados e animados para a luta por um Reino sempre novo e sempre definitivo, sempre acontecendo e sempre estabelecido, sempre no mundo e sempre além dele.

 

Celebrar Pentecostes hoje é louvar a colheita.  O Espírito infunde a ‘lei’ do amor e colhe nos corações os seus frutos!

 

Padre Antonio Bracht, nasceu em Toledo - PR em 05/09. Foi ordenado em 20/09/86 e hoje ocupa a função de Coordenador da Presidência Nacional da Obra de Schoenstatt

Esta página foi atualizada em 27/05/06.

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