Artigo Definido
A atuação de Jesus como Pastor na Eucaristia - por Pe. Kentenich
O bom pastor conduz seu rebanho para bons pastos (Cf. Ez 34,14). E que aspecto tem esse bom pasto? Qual é a comida que Jesus oferece às suas ovelinhas? Nós o sabemos. É sua própria carne e seu sangue. Minha vida é o pão para a humanidade. Quem comer desse pão - assim diz Jesus com toda clareza - Viverá para sempre. O pão que eu hei de dar é minha carne para a vida do mundo (cf. Jo 6,51). O grande mistério: Ele promete a sua carne, seu corpo e sangue; Ele promete, devemos comê-lo, devemos saboreá-lo para termos a vida. E Ele repete: em verdade, em verdade eu vos digo: quem não comer da minha carne - como tudo é dito de modo concreto! - quem não comer da minha carne e não beber do meu sangue não terá a vida (cf. Jo 6,53). Que vida se entende aqui? É a vida do Filho de Deus em nós. Evidentemente, a comida que deveríamos saborear tantas vezes quantas for possível para não morrermos é a Sagrada Eucaristia. - Assim, o Bom Pastor cuida de seu rebanho.
E se quisermos examinar em detalhes o que isso quer dizer, que efeito esta comida tem, os teólogos nos dizem que deveríamos ler com mais atenção, em cada um dos símbolos, que sentido tem essa comida. Se comermos e bebermos, o que significa?
Vejam, a comida, não importa o que comamos ou bebamos, une-se à nossa vida. Há portanto uma unidade de vida que é assimilada à nossa natureza, à nossa própria vida. Na Sagrada Eucaristia há um processo semelhante, só em ordem inversa. Aqui, nós é que somos assimilados, identificados e inseridos na vida de Jesus.
Como é importante! Jesus nô-lo disse tão claramente. E nós o sabemos, mas não compreendemos. "Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56). O que isso quer dizer? É a profunda união a dois que é aprofundada através da sagrada Comunhão."Permanece em mim e eu nele". União de vida, união de amor. E, mais uma vez, de outro lado: Em verdade, em verdade eu vos digo, "eu e o Pai somos um" (Jo 10,30). Como eu vivo pelo Pai, assim, aquele que comer a minha carne viverá por mim" (cf. Jo 6,57). Jesus não pode exprimir de modo mais claro e mais clássico a misteriosa união a dois que existe entre Ele e nós, que comungamos, que comemos a sua carne e bebemos o seu sangue.
E como se expressa essa misteriosa união a dois? O próprio Jesus certa vez tentou esclarecê-lo por uma parábola (Jo 15,1-17). Conhecemos a imagem: "Eu sou a videira e vós sois os ramos". Como a videira e os ramos estão unidos entre si? Numa misteriosa união a dois! Assim também nós estamos numa misteriosa união a dois com Jesus através da sagrada Comunhão. Mais uma vez: o que significa essa união a dois? Se assim estivermos unidos a Jesus, Ele produzirá muitos frutos em nós. Se não estivermos unidos a Ele, assim continua Jesus na parábola, seremos cortados e lançados ao fogo e então não produziremos frutos sobrenaturais. Como é importante a profunda e misteriosa união a dois entre nós e Jesus! O Pai purifica a videira para que produza mais frutos. Portanto, se nos é dado participar nos sofrimentos de Jesus, isso significa para nós uma purificação para que estejamos mais intimamente unidos à videira. É uma imagem que nos traz à consciência como é profunda essa misteriosa união de amor e de vida de que participamos através da sagrada Comunhão.
Sermão para a Comunidade Alemã de São Miguel, em Milwaukee, EUA. 12 de abril de 1964
|
Padre José Kentenich, nasceu em Gymnich (Alemanha), em 18/11/1885. Foi ordenado sacerdote em 1910 e fundou o Movimento de Schoenstatt em 18/10/1914. |
Para comentar este artigo, clique aqui.
Esta página foi atualizada em 13/04/06.
Copyright © 2003. Todos os direitos reservados - Artur E. Salgueiro