Padre José Kentenich

"Dilexit Ecclesiam"

(Ele amou a Igreja)

Padre Jose Kentenich

Imagem do Pe. José Kentenich.

Nascido em 18 de Novembro de 1885 em Gymnich e batizado no dia seguinte na Igreja Matriz de São Cuniberto, recebeu o nome de Pedro José, sendo que José se tornou seu nome familiar. Seus pais descendem ambos de famílias de pequenos agricultores.

Em 12 de Abril de 1894 sua mãe Catarina o levou a um Orfanato.

Recebeu sua primeira comunhão em 1897, no primeiro domingo depois da Páscoa. Neste dia manifestou a sua mãe o desejo de se tornar sacerdote e em 22 de Setembro de 1899 ingressou à Congregação Missionária dos Palotinos, tendo portanto 14 anos incompletos.

Em 24 de Setembro de 1904 foi aceito como noviço dos Palotinos de Limburgo e foi ordenado sacerdote em 8 de Julho de 1910, aos 25 anos.

Fundou a Obra de Schoenstatt em 18 de Outubro de 1914 na capela de um antigo cemitério, cujo padroeiro era o Arcanjo São Miguel, e recebeu o nome de Santuário da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Criou-se então uma "Aliança de Amor" entre a capela e Mãe de Deus.

Em uma carta, Padre José Kentenich afirma: "No domingo passado estive em Schoenstatt. Os momento mais belos foram os que passei na capelinha, diante da imagem de graças da Mater Ter Admirabilis. Sim, nossa capela é realmente um lugar de graças onde a Mãe Três Vezes Admirável atua com todo o seu poder. É uma nova Nazaré, onde Jesus e Maria vivem intimamente unidos."

Em 20 de setembro de 1941, depois de um interrogatório, Pe. Kentenich foi preso pela Gestapo (polícia secreta do Estado durante o nazismo) em Coblença e levado ao porão do Alojamento, num calabouço, onde ficou por quatro semanas. Mesmo assim foi-lhe permitido conservar o traje preto e assim ser reconhecido como sacerdote. Com a ajuda de dois guardas, foram providenciados todos os paramentos e objetos sagrados para que se pudesse celebrar a Santa Eucaristia em sua cela, diariamente.

Em 20 de janeiro de 1942 decidiu-se a ir livremente para o Campo de Concentração e assim foi levado, em 11 de março, para Dachau, onde as condições de alimentação eram tão deficientes que o número de mortos por fraqueza e fome aumentava dia a dia. Não muito depois de sua libertação o Pe. Kentenich conta que o Campo de Concentração de Dachau era povoado de "figuras cambaleantes e vacilantes". De março a agosto foram registradas 550 mortes.

Sem prévio aviso, os doentes e incapacitados ao trabalho eram reunidos e levados às câmaras de gás. Pe. Kentenich só escapou porque o chefe do bloco onde ele estava evitou que fosse apresentado ao médico que sorteava os "candidatos à morte".

Com a morte diante de si, Pe. Kentenich freqüentemente dava de presente os alimentos que lhe eram trazidos ocultamente e até mesmo uma parte de sua ração habitual para ajudar aos outros. Em vários outros casos conseguiu que companheiros de prisão fossem tirados da lista fatal da câmara de gás. "Nós, Sacerdotes do Campo de Concentração de Dachau, vivendo nas condições mais primitivas, não queremos reagir de modo primitivo, mas de modo singelo e autêntico e, se for a vontade de Deus, ou morrer heroicamente no campo como personalidades sacerdotais fortes, ou mais tarde, como sacerdotes amadurecidos, continuar a trabalhar com zelo e fecundidade para o reino de Deus." 

Mesmo assim, por caminhos secretos conseguia receber hóstias e vinho para a celebração da Santa Missa no campo e durante todo o tempo de prisão dava diariamente duas conferências para cerca de 100 sacerdotes.

Em 22 de outubro de 1942, após liberação dos superiores do campo, recebeu um pacote contendo 2 pares de meia, 2 ovos cozidos, 250 gramas de manteiga, e algumas bolachas e salgadinhos, que foram repartidos com seus amigos mais íntimos. Estas "encomendas" vinham regularmente até o início de 1945 quando foram novamente proibidas. Em seguida o campo foi acometido de um surto de tifo. De janeiro a março de 1945, morreram cerca de 11.000 pessoas. Em correspondência secreta, pediu a Schoenstatt que enviassem vacinas contra o tifo, assim todos os padres foram vacinados.

Em 6 de abril de 1945, pode deixar o Campo de Concentração de Dachau, devido ao fim da guerra. Sua primeira visita foi ao Pároco da aldeia para agradecer todo o auxílio prestado aos sacerdotes por seu intermédio.

Em 20 de maio de 1945, depois de três anos e meio de prisão, celebrou novamente a Santa Missa no Santuário da Mãe de Deus. Era um domingo de Pentecostes, a festa do Espírito Santo.

Nos primeiros dias de maio de 1947, a convite de Frei Martinho Friese, o Pe. Kentenich visitou o Jaraguá, onde 20 anos mais tarde se estabeleceria a primeira comunidade dos padres de Schoenstatt no Brasil.

Na manhã de 15 de setembro de 1968, Pe. Kentenich dirigiu-se à Igreja da Adoração para, pela primeira vez, celebrar a Santa Missa. Era festa de Nossa Senhora das Dores. De volta a sacristia, convidou dois padres para almoçarem com ele e em seguida ficou em silêncio, junto a seus dois assistentes. De repente notaram que o Pe. Kentenich se inclinava para frente. Procurava apoiar-se mas não conseguiu. O corpo dobrou-se e o Padre foi caindo. Tentaram sentá-lo numa cadeira mas acharam melhor deitá-lo de costas no chão. Padre Kentenich levou a mão ao coração e respirou ainda por dois ou três minutos. Chamaram rapidamente um médico e outro padre administrou-lhe a unção dos enfermos. O médico chegou e examinando-o disse: "O coração está parado". Padre Kentenich estava morto.

Cinco dias depois foi sepultado no mesmo local onde falecera. Após a missa de corpo presente, o corpo foi levado até o Santuário da Mãe Três Vezes Admirável.

Sobre sua sepultura, um sarcófago simples de basalto cinzento, estão gravados, além de seu nome, data de nascimento e falecimento, as palavras que ele mesmo desejou: "Dilexit Ecclesiam" (Ele amou a Igreja).

Todo o seu amor pertencera a Igreja. Toda sua vida foi uma vida pela Igreja: pela Igreja na atualidade mas sobretudo pela Igreja do futuro e pela obra que ele mesmo iniciou, o Santuário da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt.

(Baseado no livro "Pe. José Kentenich: Uma Vida Pela Igreja", do Pe. Engelbert Monnerjahn)

Espírito Santo, Tu és a alma de minha alma. Cheio de humildade Te adoro. Ilumina-me, fortifica-me, guia-me e consola-me. Revela-me, tanto quanto isso ao plano do eterno Pai corresponde, revela-me os Teus desejos. Faze-me entender o que o Amor eterno de mim deseja. Faze-me entender o que devo fazer. Faze-me entender o que devo sofrer. Faze-me entender o que, em silêncio, com modéstia e reflexão, devo aceitar, carregar e suportar. Sim, Espírito Santo, faze-me entender a Tua vontade e a vontade do Pai. Pois, minha vida inteira não quer ser mais que um contínuo e perpétuo SIM aos desejos e ao querer do eterno Pai.

J. Kentenich

Oração para Canonização do Padre José Kentenich:

Deus Pai todo-poderoso,

És o amor e a misericórdia.

Somente Tu, como Pai onisciente, compreendes tudo o que se passa em mim. Ajuda-me, Pai de bondade, nesta minha grande aflição. Atende-me por intermédio do Pe. José Kentenich. Como fiel sacerdote ele amou tanto a Tua igreja peregrina e procurou conduzir todos os que dele se aproximavam a um amor pessoal a Ti. Foi sábio e humilde conselheiro para todos os que dele precisaram. Concede-me, Pai eterno, por intercessão do Pe. José Kentenich, especialmente a graça (...). Em sinal de gratidão, eu Te ofereço o precioso sangue de Cristo, nas intenções da Santa Igreja e por todos os que se encontram em grande aflição. Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, roga ao Pai Eterno, que conceda ao Pe. José Kentenich a honra dos altares, como recompensa por todo o bem que fez à Igreja, para Teu louvor e a glória da Santíssima Trindade.

Amém.

Rezar 3 "Glória ao Pai"...


Esta página foi atualizada em 14/05/10.

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