Traços biográficos do Pe. Irineu Trevisan

Nasceu aos 5 de abril de 1933, em Santa Maria / RS, numa família marcada pelo espírito de iniciativa e fé dos imigrantes italianos da famosa "quarta colônia", nos arredores de Santa Maria.

Entrou para o seminário dos padres palotinos em Vale Vêneto com 11 anos de idade. O noviciado foi feito em Ijuí (1950 - 1951) seguindo-se os estudos da filosofia em  São João do Polêsine. Antes da teologia fez um ano de magistério em Faxinal do Soturno. A teologia foi feita na mesma cidade em que fez filosofia, sendo o último ano feito em Santa Maria, no Colégio Maximo Palotino.

Foi ordenado sacerdote no Santuário N. Sra. Medianeira, em Santa Maria, no dia 22 de dezembro de 1957.

Os primeiros anos de sacerdócio viveu-os na cidade eterna (Roma), onde fazia doutorado em direito canônico, na universidade lateranense. De volta ao Brasil, passou a lecionar direito canônico, ética e sociologia no Colégio Maximo em Santa Maria (1963 a 1966). Lecionou também na universidade federal na mesma época.

Veio o passo para o nosso Instituto. Foi o primeiro superior da comunidade no Brasil (1966 a 1969), residindo em S. Paulo. Quando a geração fundadora se constituiu em comunidades livres o Pe. Irineu se agrupou no curso Sicut Pastor, juntamente com seu irmão, Pe. Victor, o Pe. Brás e o Pe. Lobo.

Segue-se um período de trabalho no Movimento, que só viria a ser interrompido com sua doença, em setembro de 2004. Nesta longa caminhada, acompanhou o surgimento de vários ramos e comunidades da Obra no Brasil. Viajou o país inteiro, residindo em diferentes lugares. Nos primeiros tempos concentrou sua atividade no Sul, passando mais tarde a apoiar a expansão do Movimento no Nordeste. Com certeza as famílias foram as que mais atenção receberam do Pe. Irineu. Vale destacar a assistência que deu à União das Famílias e, com longos anos de amizade pessoal com alguns de seus membros, ao Instituto das Famílias. 

Os cargos que exerceu neste tempo foram vários. Foi Diretor do Movimento a nível nacional e posteriormente em vários dos regionais criados para melhor coordenar os serviços da Central de Assessores. Foi assessor de muitos ramos, num tempo em que havia poucos padres com esta função.

Paralelamente a esta extensa agenda schoenstatiana continuou a lecionar. Foi professor de ética e introdução à filosofia na PUC de São Paulo, nas Faculdades Anchieta (Jesuítas - S. Paulo) e no Seminário Diocesano de Apucarana / PR.

Ofereceu seus serviços também a organismos da Igreja, sendo assistente para a pastoral da educação religiosa em Londrina e assessor diocesano da pastoral familiar na mesma cidade.

Sua última atividade formalmente assumida foi a assessoria da Campanha da Mãe Peregrina, com formação de coordenadores e missionários em Atibaia. Deus o chamou, depois de longa luta contra o câncer, no dia 30 de junho de 2005.

O Pe. Irineu tinha uma grande capacidade de expor as idéias, bem como de sintetizar conteúdos. Quantas vezes experimentamos essa qualidade, quando ele, no final de longa discussão assistida em silêncio e provocado a falar, dava um esquema muito claro das idéias debatidas e de como se encadeavam logicamente, deixando a todos satisfeitos com o resultado, embora nem sempre satisfeitos com ele, por se esquivar a dar sua opinião pessoal.

Essa capacidade intelectual e a leveza com que expunha, recheando suas colocações com piadas e historietas simpáticas, fez com que se animasse a escrever. Sua produção literária consiste em livros de pequeno porte. Não era homem de tratados assustadoramente volumosos. Escrevia textos curtos e leves. Assim publicou livros sobre o namoro (O namoro bem sucedido, A arte de namorar) e a juventude, sobre a família (Família, a mais bela comunidade de amor). Nos últimos tempos escreveu "A Campanha da Mãe Peregrina - um apostolado fascinante", e seu último livro: "Como é bonito rezar" (com palestras do Fundador sobre a oração e orações compostas por ele próprio).

O Pe. Irineu pouco contou sobre seus encontros com o Pai e Fundador. Ele o encontrou algumas vezes durante as visitas do Fundador ao Brasil e depois, no primeiro terciado internacional, em Schoenstatt. Com certeza inspirou-se na rica personalidade do Fundador, compartilhando com ele a fé na missão de Schoenstatt, seu diagnóstico do tempo atual e sua experiência da MTA - para o Pe. Irineu a "Mãe do belo amor".

Um homem de grande alegria, que queria servir com alegria, que pregava uma santidade simpática e descomplicada, a ser alcançada na vivência da graça "multiplamente bela e rica" que Deus nos oferece pela Aliança de Amor.

Pe. Irineu Trevisan

Padre Irineu Trevisan faleceu em 30/06/05 e está sepultado no cemitério localizado junto ao Santuário do Jaraguá.

Esta página foi atualizada em 24/03/06.

Copyright © 2003. Todos os direitos reservados -  Artur E. Salgueiro  e  Bruno M. Salgueiro