A CAUSA DA MORTE FOI O AMOR
Homilia
na Missa de corpo presente em sufrágio da alma do Pe. Franz
Xavier Hoernle - 21-03-2004
por Pe. Antônio Maria
Queridos irmãos Padres!
Queridos fiéis! Irmãos e Irmãs!
Estou imaginando a chegada do Pe. Francisco ao Céu, ontem, sábado,dia dedicado à Mãe Santíssima.
Um senhor, abrindo a porta lhe disse:
-Bem-vindo,
Pe. Franz!
-Obrigado!
E, como sempre, quando encontrava alguém, Pe. Franz foi logo perguntando:
-Como
se chama?
-Sou
Pedro, Padre!
Aí, Pe. Franz faz logo a segunda pergunta típica:
-Quantos
anos tem?
Antes mesmo de São Pedro responder, um anjinho que passava por ali, fez ao Pe. Franz uma pergunta que ele sempre fazia, quando recebia a notícia da morte de alguém:
-Morreu de quê?
-Ah,
sim!!! - respondeu Pe. Franz, todo orgulhoso -morri
de felicidade porque vivi de amor!
Na verdade, foi essa a "causa mortis " : Viveu de amor e morreu de amor. Noventa anos de vida. Quase 50 anos de sacerdócio. Amor- Amor- Amor. Morreu de Amor a Deus e a escolha que Este lhe fez.
Para viver a vontade de Deus, por muito amá-lo, Pe. Franz deixou sua querida Füramoos, sua aldeia natal e foi, já maduro, para o seminário palotino de vocações tardias.
Por amor à vontade de Deus viveu fiel à sua vocação sacerdotal, interrompendo a caminhada seminarística, por ter sido convocado a servir no Exército alemão, por ter sido preso na Rússia.
Foram 11 anos, pisando campos minados, mas sem deixar o caminho Daquele que é a Luz e o Caminho.
Morreu de amor à Mãe Santíssima. Padre Franz recebera uma estampa, dada por uma jovem amiga e conterrânea. Era uma estampa da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Esta estampa o acompanhou sempre. Na guerra foi despojado de tudo, só não lhe tiraram a estampa e, mesmo se a tivessem tirado, não a tirariam de seu coração, consagrado todo a Ela.
Morreu de amor por dois grandes homens, seus maiores mestres: São Vicente Pallotti e Padre José Kentenich. Pe. Franz tudo fez, para viver a missão desses dois grandes Profetas e Pais.
Trilhou caminhos de dor, de sofrimento, de renúncia, mas, o trilhou sempre de mãos dadas com esses dois homens, vivendo a Aliança de Amor, na fé de que nela auxiliaria na realização da Confederação Apostólica Universal.
Morreu de amor pela Família de Schoenstatt. Amor aos Institutos, às Uniões, às Ligas, a todos os Ramos.
Morreu de amor à sua querida Comunidade de Padres do ceado, destacando-se por um grande amor às vocações. Ofereceu suas últimas dores pelas vocações.
Quando já não podia falar, por causa dos aparelhos que o ajudavam a respirar, escreveu bilhetes, oferecendo pelos Postulantes e pelo Diácono Severino, preparando seu sacerdócio, os incômodos de sua nova situação.
Morreu de amor por sua terra natal. Foi um exemplo de vinculação ao chão que o viu nascer.
Morreu de amor aos seus amigos.
Todos aqui entendemos bem, o quanto ele nos amou. Como foi fiel às amizades que angariou nesses anos de vida.
Sim, Pe. Franz morreu de amor.
Na sua humildade, Pe. Franz procurou-me, às vezes, para administrar-lhe o Sacramento da Penitência.
Só posso dizer que ele foi um homem de um grande amor e sua maior preocupação era faltar ao amor de Deus. Essa era sua grande preocupação.
Mas, irmãos, voltemos ao Céu, onde, ontem, Pe. Franz chegou.
Após ter sido recebido por São Pedro foi por este, carinhosamente, conduzido:
-Venha,
Padre Franz! Venha! Há uma recepção toda especial ao senhor.
Ali, numa salinha, do tamanho e do formato da capelinha de São Miguel, no vale de Schoenstatt, estava a Mãe de Jesus, com seu traje mais festivo: Vestido da cor do amor, manto azul e véu branco. Ela o recebeu, delicadamente, falando em alemão.
A Mãe sabe falar todas as línguas:
-Wilkommen,
Pater Franz, mein lieber Sohn! (Bem-vindo, Padre
Franz, meu querido filho!).
Padre Franz já estava em casa. A Mãe apresentou-lhe, então, o Pe. Kentenich. Conversavam, longamente, em alemão.
São Vicente Pallotti aproximou-se e foi logo falando ao Pe. Franz, referindo-se à Mãe Santíssima:
-Não é linda "la mia piu che innamoratissima madre Maria?"
-Sim, sim! É linda "la nostra piu che innamoratissima madre Maria. (É linda a nossa mais que amantíssima mãe Maria).
Como vemos, em poucos minutos Pe. Franz aprendeu até italiano. No Céu se aprende tudo.
Alegrou-se muito, ao ver seus companheiros de seminário alemão, velhos Padres palotinos. Ele amava muito esses colegas.
Abraçou, com muito amor, seu irmão de Curso, Pe. Celestino e seus irmãos da Região de Cristo: Pe. Brás, Pe. Rubens, Pe. Máximo. Abraçou, também, Frei Martinho, João Pozzobon. Com afeto abraçou seus pais, irmãos, sobrinhos.
Que alegria poder conhecer, pessoalmente, José Engling, Karl Leisner, Irmã Emilia, Hans Worner, Max Bruner, Pater Reinich, Guertraud von Buillon.
Alegrou-se muito, quando viu Leonor. Esta disse-lhe, sorrindo filialmente:
-Agora, sim, Pe. Franz, o senhor está no Monte do Pai.
E a conversa não acabava mais. Aí, nossa Mãe abeirou-se dele e, falando bem baixinho, (porque agora Pe. Franz escuta bem, sem aparelho) perguntou-lhe
-Franz,
Você não quer ver Jesus?
Sabem, meus irmãos, o que ele respondeu? Foi mais uma resposta típica dele. Ele respondeu:
-Depende!
-Mas, depende de que, Franz?
Ao que Pe. Franz respondeu:
-Se Ele me disser que posso continuar trabalhando na construção de um mundo
novo, a partir do homem novo... vou!!!
-Claro
que pode, meu filho!
-Posso
ser intercessor, aqui no Céu, para todos os que amei na terra?
-Pode sim, claro!
Quando se dirigia ao trono do Cordeiro, Pe.Franz encontrou muitos Santos. Um deles aproximou-se mais. Era São Cristóvão que lhe deu os mais sinceros votos... Um Santo não tão íntimo do Pe. Francisco mas que, com certeza, teve sempre sobre ele sua mão protetora. São Cristovão disse-lhe:
- Padre , tenho um presente especial para o senhor... um carro celestial zero Km. Depois de falar com o Mestre, me procure!
Pe. Franz abraçou Jesus. Foi seu mais terno e eterno abraço.
Logo após, procurou São Cristóvão. Pe Franz já está acelerando no Céu, em novas viagens apostólicas. Agora, acelera mais ainda, trabalhando pela nossa salvação, pela Família de Schoenstatt, pelas vocações, pelo ceado, pela Igreja.
Acelerando porque, "Charitas Christi urget" (o amor de Cristo urge) e convém a um Bandeirante do Pai na conquista de ceado!
Obrigado, Pe. Franz! Acelera e ajuda-nos a acelerar no processo de nossa santificação.
Seu exemplo é um incentivo a todos nós. Amém!

Ultima foto do Pe. Francisco Hoernle em frente ao Santuário Sião de Jaraguá, SP, tirada em janeiro de 2004, quando ele celebrou a sua última Missa com toda a Comunidade dos Padres reunida.