Quem é Essa que desponta como a aurora,

Bela como a lua, Fulgurante como o sol?

(Cântico dos cânticos)

A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima nos deixou e voltou a Portugal, depois de passar um mês no Brasil. E a despedida não poderia ter sido melhor.

Milhares de pessoas se reuniram, no dia 27 de junho, no Santuário da Mãe e Rainha, para dizer "Até Breve" à Imagem Peregrina Original da Virgem de Fátima.

Saiba mais sobre as aparições de Nossa Senhora de Fátima

Confira as fotos da despedida, com lenços brancos e muita emoção.
Chegada da Imagem de Nossa Senhora de Fátima Recepção calorosa à Nossa Mãe de Fátima Nossos Padres conduzem a Imagem Peregrina ao Altar
Nossa Senhora preparou o dia especialmente para sua chegada Bênçãos de Nossa Senhora ao povo de Deus Entrada à Missa
O povo de Deus se emociona com a Imagem de Fátima Irmã Jane coroa a Imagem de Fátima A emoção da coroação, à véspera do aniversário de Irmã Jane
  Benção Final  

As Aparições de Nossa Senhora de Fátima

O dia 13 de Maio de 1917 era Domingo. Depois de terem ido à Missa à paróquia, as crianças tinham levado as ovelhas a pastar para um lugar a dois quilômetros de Aljustrel, chamado "Cova da Iria". O céu estava azul e claro, mas, a dado instante, pareceu-lhes ver um relâmpago. Receando tempestade, juntaram as ovelhas para as conduzir para casa. De repente, viram outro clarão... e ali, a poucos passos deles, sobre uma pequena azinheira, apareceu a figura de "uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente".

- Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.

- Donde é Vossemecê?

- Sou do Céu.

- E que é que Vossemecê me quer?

- Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero.

- E eu também vou para o Céu?

- Sim, vais.

- E a Jacinta?

- Também.

- E o Francisco?

- Também, mas tem que rezar muitos terços.

Lúcia fez ainda mais algumas perguntas. Por fim, Nossa Senhora perguntou-lhes:

- Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

- Sim, queremos.

- Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.

Ao dizer estas últimas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, num gesto acolhedor de Mãe, oferecendo o seu Coração. Um misterioso reflexo de luz desceu até às crianças penetrando-lhes a alma e fazendo-as verem-se envolvidas em Deus, "mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos", - diz Lúcia. Finalmente, Nossa Senhora acrescentou:

- Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

No dia 13 de Junho, os pastorinhos, acompanhados de algumas pessoas, estavam a rezar o terço, quando, de novo, viram o misterioso clarão. Lúcia iniciou o diálogo:

- Vossemecê, que me quer?

- Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.

Lúcia pediu a cura de um doente. Nossa Senhora respondeu:

- Se se converter, curar-se-á durante o ano.

- Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

- Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação e serão queridas por Deus, como flores postas por mim a adornar o Seu trono.

- Fico cá sozinha?

- Não, filha. E tu sofre muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

No dia 13 de Julho foi já uma multidão a acompanhar os pastorinhos. Viu-se o costumeiro clarão. Lúcia começou o diálogo:

- Vossemecê, que me quer?

- Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

Lúcia apresentou a Nossa Senhora diversos pedidos e continuou:

- Queria pedir-lhe para nos dizer quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que vossemecê nos aparece.

- Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão-de ver e acreditar. Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Neste momento o reflexo misterioso penetrou a terra. Os pastorinhos, assombrados, contemplaram a horrível visão do inferno. Assustados, e como que a pedir socorro, levantamos, - diz Lúcia - a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

- Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XII, começará outra pior. Quando virdes um noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco podeis dizê-lo.

Depois destas importantes declarações, Nossa Senhora continuou:

- Quando rezais o terço, dizei, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

No dia 13 de Agosto não houve aparição de Nossa Senhora porque o Administrador de Vila Nova de Ourém prendeu os pequenos e levou-os para a Vila. Ali os reteve injustamente durante três dias, submetendo-os a múltiplos interrogatórios e ameaçando-os com violentos castigos. Por fim, não tendo conseguido obter deles nem a retratação da veracidade das aparições, nem a revelação do segredo, entregou-os aos pais.

A multidão esperou em vão, nesse dia, pelos pastorinhos. Nosso Senhor, porém, realizou alguns prodígios extraordinários, que a todos consolaram e convenceram mais da veracidade das aparições.

No Domingo seguinte, 19 de Agosto, Nossa Senhora tornou a aparecer num lugar chamado "Valinhos".

- Que é que Vossemecê me quer?

- Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias.

A Lúcia apresentou, depois, alguns pedidos que Nossa Senhora atendeu. E, tomando um aspecto mais triste, terminou dizendo:

- Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

No dia 13 de Setembro, a multidão ultrapassava já as 25 mil pessoas. As crianças chegaram com dificuldade ao local das aparições. Pouco depois, a Santíssima Virgem manifestou-se e disse:

- Continuem a rezar o terço, para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S.José com o Menino Jesus para abençoarem o mundo.

Como das outras vezes, Lúcia transmitiu a Nossa Senhora vários pedidos. Por fim, Nossa Senhora, refreando o espírito mortificado dos pastorinhos, acrescentou:

- Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

No dia 13 de Outubro, não obstante a chuva torrencial que encharcara e enlameara os caminhos, dificultando a subida da serra, a multidão ultrapassou as 50.000 pessoas.

Era meio-dia solar, quando começou o diálogo:

- Que é que Vossemecê me quer?

- Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.

Depois, tomando um aspecto mais triste, disse:

- Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido!

Quando Lúcia viu que Nossa Senhora se elevava, e que o seu brilho continuava a projetar-se no sol, num movimento instintivo apontou para o sol, e, com um grito espontâneo, recomendou:

- Olhem para o sol!

Foi então que se realizou o milagre prometido por Nossa Senhora três meses antes. O Céu que, até então, tinha estado coberto de nuvens negras, rasgou-se, deixando ver o sol. Este tomou a forma e a cor de um disco prateado que não feria a vista. Ao mesmo tempo, começou a girar vertiginosamente sobre si mesmo, como uma roda de fogo de artifício. Por três vezes, desceu até à altura do horizonte, como que ameaçando cair sobre a terra. Brilharam no sol todas as cores do arco-íris que se refletiram na paisagem, na terra, nas árvores e nas pessoas. O espetáculo durou cerca de um quarto de hora. A multidão assistia ao acontecimento atemorizada: chorava, gritava, invocava a misericórdia de Deus e da Santíssima Virgem, e pedia perdão para as suas culpas.

Lúcia, mergulhada no êxtase, não tinha contemplado o fenômeno solar, mas, imediatamente depois, pôde contemplar uma série de visões multiformes que ela descreve com sobriedade: "Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, S.José com o Menino, e Nossa Senhora vestida de branco com um manto azul. S.José com o Menino pareciam abençoar o mundo, com uns gestos que faziam com a mão, em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor parecia abençoar o mundo da mesma forma que S.José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ainda ver Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo".

A mensagem de Fátima

As principais características da mensagem de Fátima para o mundo e para a Igreja, poderiam escrever-se assim:

1ª Perfeita ortodoxia.

Reproduz fielmente, embora de maneira popular e catequética, a doutrina da Igreja Católica, contida na Sagrada Escritura e na Tradição. Apresenta-se-nos com toda a frescura evangélica e com toda a singeleza da primeira catequese cristã. Nas suas

imagens, nos seus gestos, nas suas palavras ressoam todas as páginas do Evangelho, desde as fortes chamadas de João Batista à penitência, desde os acentos escatológicos de Cristo sobre a ruína de Jerusalém, até à catequese de Jesus, nas suas parábolas, na sua vida de aldeia, nas suas preocupações quotidianas, nos seus gestos emotivos, nas próprias orações que Ele ensinou.

2ª Abrange todo o dogma católico.

A Mensagem de Fátima poderia definir-se como uma suma ou compêndio da doutrina católica. Nada lhe falta quanto ao essencial: a Santíssima Trindade, a habitação de Deus nas almas pela graça, o mistério da Redenção de Cristo, o mistério de iniquidade do pecado, o sentido de solidariedade dos cristãos dentro do Corpo Místico de Cristo-Cabeça na reparação, a intercessão dos anjos e santos, o mistério inefável da Eucaristia, o lugar único da Virgem Intercessora, mostrando a maternal solicitude do seu Coração Doloroso e Imaculado, os grandes dogmas do Céu e do inferno. Fátima é na verdade um "evangelho abreviado". Jamais houve manifestação sobrenatural de Nossa Senhora de conteúdo tão rico como a de Fátima, nem aparição alguma reconhecida nos transmitiu mensagem tão clara, tão materna, tão profunda como esta" (Cardeal Larroana).

3ª Atualidade viva.

A mensagem de Fátima revelada num tempo, cheio de contradições, de lutas, de sofrimentos e penas, é sempre atual e eterna, como o Evangelho.

Assim o declarou João Paulo II, em 13 de Maio de 1982:

"...o convite evangélico à penitência e à conversão, expresso com as palavras da Mãe, continua ainda atual. Mais atual mesmo do que há sessenta e cinco anos atrás. E até mais urgente".

4ª Valor santificador.

A prática da mensagem de Fátima não é apenas apta para santificar a vida cristã em geral, mas também oferece, no exemplo dos pastorinhos e dos peregrinos, uma doutrina espiritual, capaz de elevar as almas à mais alta vida do espírito.

Oração

Santíssima Virgem,
que nos montes de Fátima
vos dignastes revelar a três pastorinhos
os tesouros de graças
contidos na prática do vosso santo Rosário
incuti profundamente em nossa alma
o apreço em que devemos ter esta devoção,
a vós tão querida,
a fim de que, meditando os mistérios da Redenção,
que neles se comemoram,
nos aproveitemos de seus preciosos frutos
e alcancemos a graça (............................)
que vos pedimos, se for para a glória de Deus
e proveito de nossas almas.
Assim seja.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai

Fontes: Todas as informações deste tópico foram extraídas do site do Santuário de Fátima, em Portugal, com mudanças efetuadas para a ortografia brasileira.

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Esta página foi atualizada em  29/01/2009 .

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