Artigo Definido

Por que os aviões caem - por Pe. Antonio Bracht 

Caiu mais um, aqui perto... uma tragédia... cenário de guerra... e tudo o mais que conhecemos e vimos tantas vezes repetido em todos os jornais. E a pergunta que todos fazem a todos: por que caiu? Técnicos querem e devem investigar. Jornalistas querem saber. Familiares das vítimas não sabem se devem perguntar, de dentro de sua dor. O cidadão comum – eu e você – procura respostas nos jornais, esperando que os técnicos tenham dito o que quer saber, de olho nos familiares das vítimas que aparecem em todas as páginas pesquisadas.

Eu me incluí no número dos que querem saber, mas na verdade não estou querendo saber só isso. Eu tenho outra pergunta que quero fazer, a todos: por que as pessoas voam?

Não quero saber opinião de técnicos. Não vou pesquisar em jornais. Quero responder, eu mesmo. Arriscar uma resposta. Uma não. Várias. Pois a resposta não cabe numa só resposta, como poderemos constatar logo mais.

Primeira resposta: porque gostam. Bem..., nem todos gostam, mas a maioria sim. A maioria curte o vôo quando está lá nas alturas, diante daquele horizonte infinito e azul. Vive a ansiedade de chegar logo, não lhe bastando a fantástica velocidade que a aeronave desenvolve. E quando chegam, gostaram de chegar.

Outra resposta possível: porque trabalham. O trabalho moderno faz a gente se deslocar, realocar, loucamente. Na velocidade do avião. Chamamos isso às vezes de ponte aérea. Outra vezes de loucura mesmo! Mas é cada vez mais comum.

Mais uma resposta: porque tem que voar. Tem que por quê? Não sabem o porquê. Sabem porquês, mas não o porquê. Mas ele existe? Estou à procura dele. Você também.

Não seria porque são seres humanos?! Em minha opinião, tudo a ver. Não somos os únicos seres vivos que voam. Aliás, não sabemos voar. Temos que servir-nos de máquinas – enormes, ou menorzinhas – cheias de tecnologia, com uma aerodinâmica estudadíssima, para sair do chão. Mas, somos os únicos seres vivos capazes de perguntar o porquê das coisas, dos acontecimentos, de nós mesmos, da vida... e do vôo!

Perguntar... não é parecido com voar?! Se somos perguntantes, é porque deve haver resposta. Acho que sei. As pessoas voam porque são seres divinos. Divinos? Sim, temos dentro de nós algo de divino. Humanamente incompletos, procuramos a plenitude. E isso nos faz voar. Buscas... horizontes... riscos... idas e vindas. Se esse algo está dentro de nós, deveríamos voar para dentro. Mas, nós seres humanos, costumamos dar umas voltas estranhas. Vamos a quilômetros longe, para acabar chegando a nós mesmos. Alguns nunca chegam. Outros chegam mais de uma vez. E as chegadas – aterrisagens bem sucedidas, ou menos bem sucedidas, por vezes até dramáticas – alimentam o desejo de voar. Um impulso toma conta. O infinito, não do azul do céu emoldurado em horizonte sem moldura, aquele infinito misterioso dentro, atrai. Faz sentir que a busca é a bússola. Convida a mais voar.

Quem chegou ali descobre uma novidade que Santos Dumont nem podia supor: ali é só uma base de lançamento. Aeroporto... chegar... só quando atingimos outra órbita, em torno de alguém. O infinito está no coração do outro, como se o nosso fosse apenas um espelho. Espelho não. É real. Mas, é incompleto. E faz voar, porque há um outro coração. Porque existe um Outro.

Somos divinos... e por isso voamos!

Bem, acho que eu acabei de encontrar a resposta para a minha primeira pergunta: por que os aviões caem? Eles caem porque os seres humanos voam! E voamos porque a trajetória da nossa vida é para dentro.

Vamos continuar voando. Continuarão a cair aviões. Continuaremos a voar... Voando vivemos a vida, buscamos o amor, perguntamos as coisas,  e sempre... aterrisamos em Deus!

São Paulo, 18 de julho de 2007

Padre Antonio Bracht, nasceu em Toledo - PR em 05/09. Foi ordenado em 20/09/86 e hoje ocupa a função de Coordenador da Presidência Nacional da Obra de Schoenstatt

Esta página foi atualizada em 19/07/07.

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